sábado, 27 de setembro de 2008






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"Fui educado pela Imaginação,
Viajei pela mão dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
E todos os dias têm essa janela por diante,
E todas as horas parecem minhas dessa maneira" .
Álvaro de Campos


Este ano o XVI Congresso Brasileiro de Poesia homenageia
o poeta português Fernando Pessoa. Possivelmente o mais
lido poeta de língua portuguesa. Pessoa tem o mesmo
prestígio em Portugal e em Guiné-Bissau, Cabo Verde e
Angola. Nem Camões, nem Drummond, nem Helberto
Hélder, nem Sophia de Mello Breyner Andresen .
Pessoa continua imbatível nas estantes.
Como entender esse fenômeno?
Porque muita gente repete, lê ou usa seus versos?
Eu gosto muito de Fernando Pessoa, especialmente Álvaro
de Campos, o mais angustiado e intenso de seus heterônimos.
Campos escreveu as grandes Odes e poema canônicos como
Tabacaria e Passagem das Horas, de onde retirei a epígrafe
deste texto. Eu e Joaquim Palmeira estaremos lá em Bento
Gonçalves entre 6 e 12 de outubro, apresentando o recital
"OUTROS EUS", com poemas nossos e do grande mestre
português. Veja a programação no
http://br.geocities.com/poebras/
"OUTROS EUS" teve excelente acolhida em sua estréia
durante o 10° Encontro Nacional de Escritores,
em Caxambu - MG. Você está convidado!


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escrevi isto outro dia:

de forma incompreensível
o amor sempre me escapa
a morte, a vida, a distância
sempre me levam o amor
ou
sempre me levam ao amor
nem sempre sei qual

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Pasárgada, o enigma
" Vou me embora para Pasárgada.
Aqui eu não sou feliz" Manuel Bandeira

pra Juliana, encantadora de poetas



Perguntei pra Max Moreira, o poeta, versado em saberes
essenciais, como faço para chegar em Pasárgada.
Ele não soube responder, mas ouviu falar que há poemas
frondosos pelo caminho. Então perguntei para Xênia Portella,
a doutora, graduada em proporções e estéticas,
se por acaso na casa dela não tinha um mapa, ou uma pista
que indicassem os caminhos de Pasárgada. Ela respondeu que
não, mas já ouviu falar que lá tem alcalóides e telefones automáticos.
Perguntei pra Wilmar Silva/Joaquim Palmeira, o bardo inventor,
se o caminho para Pasárgada requer decifrar algum enigma
poético-filosófico. Ele não soube responder, mas sabe que lá é
outra civilização, de invenções. Perguntei pra Cunha de Leiradella,
o luso, outro sábio versado em pessoas, se nos contra-fortes da Serra
do Gerês alguém ou ele, não tinha o caminho para Pasárgada:
- No Brasil você terá mais possibilidades de encontrá-lo, quem
sabe em algum antiquário próximo à praça Marília de Dirceu.
Perguntei também a Rui Santana e ele, convicto, respondeu:
- É aqui, pasárgada é aqui! tem meus filhos, meus quadros,
meus amigos, minhas paisagens, meu canto de águas,
baiana bonita pra eu me casar. é aqui, mas só eu acredito.
Então telefonei pra Abdo Nacur, o neto, tão sábio, tão informado
dos mistérios da existência, tão versado em saberes automáticos,
que respondeu:- Não estou bem certo, mas já me disseram que
se chega pelo norte, e que tem uma chave e que a chave é um
estado d´alma, de que nada sei. Perguntei ao poeta Adão Ventura,
especialista em estados d'alma, que estado d'alma era preciso ter
pra encontrar o caminho de pasárgada e ele respondeu:
- Um estado musical: negritude, malemolência, embevecimento.
De como chegar lá nada sei, já até fui, mas esqueci o caminho.
Escrevi ao meu amigo Adolfo Maurício, tão versado em encontros e
em lugares, que em carta respondeu: Lá tem mãe-d'água e os
gaturamos foram expulsos há décadas, lá o rei tem amigos,
mas infelizmente não sei o caminho.
Continuando minhas indagações me encontrei com Ana Elisa Ribeiro,
mestra em dimensões femininas, que respondeu:
- Também quero fazer o caminho para Pasárgada, se souber,
conte-me! sei que lá as casas tem vasos de rosas nas janelas dos fundos.
De meu amigo Luís Henrique, o baiano Icke, muito versado em
musicalidades e arranjos, recebi a seguinte resposta:
- Pelo caminho tem sons de violão, sons universais, intercalados
por longos silêncios, ouvir o silêncio é o segredo. É o que dizem em
Bom Jesus da Lapa. Segui, desejando ouvir o silêncio, imaginando
outra civilização, outro estado d'alma, muitos poemas frondosos,
alcalóides, embevecimento, negritudes, vasos de rosas, chaves, etc, etc.
Cansei-me. Agora nada procuro. E se Pasárgada for aqui?

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"alegria é melhor que felicidade" Jovino Machado
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Quem gosta de ler um bom romance deve ler "O VESTIDO"
Geração Editorial, do mineiro Carlos Herculano Lopes.
Escrito para se tornar roteiro de filme e inspirado no poema
"O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade.
Imaginativo e fluente como o poema. Essencial!

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