terça-feira, 30 de setembro de 2008

"O ESTRANGEIRO" de Albert Camus

Tomado por curiosidade e por esse desejo meio nostálgico
de recuperar simbolismos do passado, ou o próprio passado,
outro dia fiquei pensando nos filmes e nos livros de que
gostei muito. Em cada época houve uma série deles, e alguns
foram ficando no tempo e outro vieram me acompanhando,
ganhando importância e se revelando melhor do que da
primeira vez que foram lidos ou vistos.
Um desses casos é o romance "O Estrangeiro" de Albert
Camus, escritor franco-argelino, nascido em 1913 e Nobel
de literatura de 1957.
O tempo às vezes nos faz esquecer o enredo, as personagens
de um romance, as lembranças se embaralham. Mas sempre
lembraremos de que gostamos muito. E foi isso que aconteceu com relação a "O Estrangeiro".
Camus tinha apenas 27 anos quando escreveu este magnífico
romance de 122 páginas, mais tarde tornou-se ativista político
e importante figura do existencialismo francês do pós-guerra,
editorialista, polemista e autor de outros dois romances
consagrados, "A Peste" e "A queda". Menos conhecido mas
não menos brilhante é o livro de contos "O Exílio e o Reino",
cujo conto "Jonas ou o artista no trabalho" tornou-se referência.
Em "O Estrangeiro" Camus busca definir a idéia de Absurdo.
Como a vida é absurda. Como um inesperado fato cotidiano
pode mudar nossa existência, nos levando a matar, ou morrer.
O Absurdo se espalha por toda a sociedade, por todos os seus
poderes, contaminando a maioria dos indivíduos.
O tema parece pesado, mas o que vejo é sensibilidade filosófica
e linguagem poética aliadas na construção de uma obra literária
de grande sentido.
O ESTRANGEIRO - ALBERT CAMUS
Tradução Valerie Rumjnek - Ed. Record

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